Resenha: Fresno – A Sinfonia De Tudo Que Há
- 11 de nov. de 2016
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Com 17 anos de carreira, muitos hits e um público já consistente e fiel, a Fresno é uma das bandas mais consagradas da nova safra de bandas de rock nacional. A banda passou por muitas fases, acompanhou diversos momentos do rock brasileiro, sendo alguns deles mais complicados que outros, e continuam firmes no cenário musical e crescendo cada vez mais.
Formada por Lucas Silveira na guitarra e nos vocais, Gustavo Mantovani também na guitarra, Mario Camelo nos teclados e Thiago Guerra na bateria, a Fresno completou 15 anos de carreira em 2014, quando gravaram um DVD para comemorar essa marca na carreira. Até porque, considerando os últimos 20 anos, é realmente um motivo para festa uma banda de rock brasileiro atingir 15 anos de carreira.
"A Sinfonia De Tudo Que Há" é o mais novo álbum da banda, que não lançava nada desde o "Eu Sou A Maré Viva", de 2014. Foi lançado no dia 13 de outubro e conta com 11 faixas.
A faixa que abre o álbum é intitulada "Sexto Andar", que traz uma melodia muito bonita, clássica e que cresce ao longo da música. Os instrumentos são muito bem trabalhados, o som é doce e harmônico. A faixa traz o tom emotivo já característico do som da banda de uma maneira menos pesada e mais artística. Ficou muito bonito o resultado.
Logo em seguida, temos a faixa "Deixa Queimar", que tem uma pegada bem diferente da primeira música. O som é forte, porém não muito denso, tem uma batida que suaviza um pouco mais e a letra também é bem forte, juntamente com o timbre marcante do vocalista. O baixo e a guitarra na música contribuíram muito para a criação de uma atmosfera sombria e uma melodia muito contagiante. A faixa é bem marcante, com certeza uma das melhores do álbum.
A terceira música é a "Hoje Sou Trovão", que conta com a participação do incrível Caetano Veloso. A faixa traz uma introdução muito interessante, com uma mistura incrível de instrumentos. A forma como o Caetano entra na música é sensacional, toda a personalidade do timbre dele na melodia do rock deu um resultado muito bom. A letra é muito boa e realmente as vozes combinaram bastante. A melodia é densa e forte, com mudanças singelas do que foi feito em toda a discografia até agora. Excepcional também a extensão vocal do Lucas. Guitarras muito bem trabalhadas, uma melodia bem coesa.
"Poeira Estelar" é a quarta faixa do álbum, que teve seu videoclipe lançado recentemente. Você poderá conferir logo abaixo. É uma música incrível, digna também de estar entre as melhores do álbum. A letra traz toda a melancolia do som da banda e a melodia é bastante emocionante. O refrão é forte, tem bastante harmonia entre os instrumentos e o timbre do vocalista. A bateria merece um destaque nessa faixa, foi executada com maestria, ficou muito bonito na faixa. Não posso deixar de falar também dos instrumentos de música clássica que deixaram a faixa com uma melodia lindíssima. Com certeza, se você chorar ouvindo alguma, vai ser nessa. Já se prepara. Fresno com um som totalmente artístico, muito bonito de se ouvir.
Chegando quase à metade do álbum, temos a faixa "O Ar", que traz uma vibe mais leve, mais acústica. A letra é bem romântica e a melodia é um tanto diferente do que a banda vinha fazendo nos últimos álbuns. É sempre ótimo ver as bandas arriscando em coisas novas e tendo resultados bons. A faixa ameniza o peso da anterior e é tão bonita quanto.
"Abrace Sua Sombra" é a sexta faixa do álbum. Ela tem uma introdução muito bonita, um pouco indie, a letra é bem pesada e a construção da melodia é interessante, diferente. Também é uma das melhores faixas do álbum. A guitarra e o teclado ficam bem destacados, contribuindo bem para a criação da pegada densa da música.
Logo em seguida temos "Astenia", que traz uma melodia que fica entre o clássico e o stoner, tem um andamento muito bom e o vocal carregado de tom melódico. Uns pequenos riffs também que ficaram interessantes, ajudaram a não tornar a faixa tão pesada quanto a última. Muito interessante essa.
A oitava faixa do álbum é a faixa-título. Fazendo jus à "sinfonia" no nome da faixa, ela tem uma melodia clássica, muito bonita, e o vocalista põe bastante emoção no timbre, de maneira que fica bem harmonioso com o arranjo. O baixo começa a aparecer mais na segunda estrofe e o resultado fica ótimo, um som bem limpo, harmônico e bonito. Fresno atingindo um nível altíssimo de musicalidade. A faixa tem uma ótima construção. Como faixa-título, ela sintetiza todo o conceito do álbum de relacionar o universo com tudo o que nós conhecemos e com a música mais clássica, sem perder a vibe pesada que eles sempre tiveram. Ótima faixa.
Entrando na última fase do álbum, temos a faixa "Axis Mundi", que já é completamente diferente da anterior, trazendo uma construção que tem uma influência leve de grunge, metal e indie, em diversos e singelos aspectos. É definitivamente muito bonito de ouvir a junção dos instrumentos clássicos com as guitarras da banda. Incrível.
"A Maldição" é a penúltima faixa, e traz uma introdução muito forte e uma construção densa. A marcação da guitarra é muito boa e as mudanças de tom também foram muito bem colocadas e executadas.
"Canção Desastrada" é a última faixa do álbum e assim como "O Ar", traz uma vibe leve, um pouco de influência do folk em algumas partes e uma letra muito bonita. A música é emocionante, tem um tom romântico e melancólico muito artístico. Foi uma boa faixa para finalizar o álbum.
Nas considerações finais, eu gostaria de pontuar que o álbum foi muito bem trabalhado, o som da banda veio com um tom realmente de sinfonia, como é dito no título, mas não apenas pela presença de artifícios clássicos, também pelas construções das melodias artísticas e românticas no que diz respeito ao tom bastante melancólico e pela sonoridade grandiosa que as faixas tiveram. Ouvir o álbum dá a impressão de que você assistiu à um espetáculo denso, profundo e bem feito, com a dose certa de melancolia e com algumas sonoridades mais leves para equilibrar. Ficou lindo. Grande álbum. Para ouvir, clique aqui. No próximo dia 19, a banda fará o show de lançamento no Rio de Janeiro. Clique aqui para mais informações.











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